domingo, 1 de março de 2009

Rentabilizar a Internet no Ensino Básico e Secundário: Dos Recursos e Ferramentas Online aos LMS - Resumo

A primeira parte deste texto enfatiza a forma como a Web entrou nas nossas vidas e o impacto que teve na forma como comunicamos e aprendemos.

Lévy presume mesmo que o futuro passa por ter a internet como mediador da inteligência colectiva. E, por ser um suporte de informação (“repositório do conhecimento humano”, Berners-Lee et al., 1994) e de comunicação, possibilita a emersão de novas formas de conhecimento, critérios de avaliação e protagonistas da sua produção.

Como consequência desta invasão massiva, torna-se importante preparar os nossos alunos para, não só serem consumidores críticos de informação, mas também produtores.

O Ministério da Ciência e Tecnologia e da Educação promoveu programas que vão de encontro a estas directrizes do mundo moderno. O programa “Iniciativa Escolas, Professores e Computadores Portáteis”, de Março de 2006, pretendeu munir escolas e professores com computadores portateis com o objectivo de possibilitar novas formas de ensino-aprendizagem, mais adequadas, mais actualizadas à realidade e ao futuro. A utilização das novas tecnologias e da internet poderá ser útil se permitir ao professor ter uma abordagem mais construtivista e ao aluno aprender individual e colaborativamente pesquisando criticamente informação, tratando-a e tornando-a disponível à consulta e à partilha.


Segundo a ASTD o conhecimento que se vai construindo duplica de 18 em 18 meses. A selecção do conhecimento face a uma diversidade de oferta tão vasta, a sua interpretação e posterior aplicação passam a ser aspectos mais importantes nos dias de hoje, em que o acesso à informação é muito democrático e facilitado.


Com o emergir da economia de conhecimento em rede, nasce um novo conceito proposto por O’ Reilly (2005), a Web 2.0. Na Web 2.0 tudo está acessível, as pessoas deixam de precisar de ter o software no seu computador porque ele está disponível online, facilitando a edição e publicação imediatas, como a Wikipedia, o wiki, o podcast, o blog. Ela incita à colaboração e a partilha de informação.


Com esta realidade nascem novos termos, tais como conectividade e conectivismo. Conectividade relaciona-se com o estar do utilizador na rede e conectivismo é, segundo Siemens, a teoria da aprendizagem da era digital. Siemens apresenta sete princípios do conectivismo entre os quais afirma que “a aprendizagem e o conhecimento baseiam-se na diversidade de opiniões e que a aprendizagem é um processo de conexão de nós especializados ou fontes de informação”.


O conectivismo assenta no facto de que as decisões a tomar se baseiam em informações que também estão em constante mudança, daí que seja muito importante distinguir entre informação importante e muito importante.


Com a Web 2.0 veio possibilitar a que todos possam ser autores, o que faz com que saber pesquisar e avaliar a qualidade da informação se tornem aspectos essenciais. È necessário orientar os alunos na pesquisa, através de ferramentas como Caça ao Tesouro e a WebQuest. Ao recolher informação o aluno deve fazer referência ao site consultado, combatendo o plágio e salvaguardando os direitos de autor.


Ao desenvolver actividades como a Caça ao Tesouro e a WebQuest possibilita-se a aprendizagem social, o trabalho colaborativo (em que há interacção constante entre sujeitos durante a realização de tarefas) e a dinâmica de grupo, tal como perspectivava Vygotsky (1978). O trabalho colaborativo distingue-se do cooperativo porque neste último as tarefas são divididas pelos membros do grupo, sendo realizadas individualmente.


A possibilidade de se tornarem autores da Web torna os nossos alunos mais responsáveis e permite os encarregados de educação verem os trabalhos executados e os comentários dos professores a esses trabalhos, deixando de encarar a internet como um meio de lazer na aula, mas sim como um instrumento de trabalho.


No sentido de dar apoio á aprendizagem á distância, surgem os LMS- Learning Managment Systems). Em Portugal, o ME proporcionou aos seus professores formação na plataforma Moodle. As plataformas educativas facilitam a disponibilização de recursos em diferentes formatos como texto, vídeo e áudio, apontadores para sites, avisos aos alunos, interacção professor - alunos através de ferramentas de comunicação, ferramentas de apoio à aprendizagem colaborativa e registo das actividades realizadas pelos alunos, com a vantagem de professor e alunos terem a privacidade e poderem sentir-se seguros por não estarem expostos a outros cibernautas.

A plataforma exige do professor conhecimento da tecnologia, criatividade e muita dedicação para conceber e dinamizar actividades. Existem outras plataformas, como a “Escola Virtual”, que disponibilizam os conteúdos programáticos de cada disciplina com actividades interactivas e orientadoras da aprendizagem dos alunos. Seria importante o Ministério da Educação assumir responsabilidade pela disponibilização de conteúdos interactivos e com qualidade para os diferentes níveis de ensino podendo o professor descarregar os conteúdos e inseri-los na plataforma, na sua disciplina.


Do original:
Rentabilizar a Internet
no Ensino Básico e Secundário:
dos Recursos e Ferramentas Online aos LMS
Ana Amélia Amorim Carvalho


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